quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Estoicismo

Tu que não crês, não amas, nem esperas,
Espírito de eterna negação,
Teu hálito gelou-me o coração
E destroçou-me da alma as primaveras.
Atravessando regiões austeras,
Cheias de noite e cava escuridão,
Como um sonho mau, só ouço um não
Que eternamente ecoa entre as esperas.
- Porque suspiras, porque te lamentas,
Cobarde coração? Debalde intentas
Opor à sorte a queixa do egoísmo.
Deixa aos tímidos, deixa aos sonhadores
A esperança vã, seus vãos fulgores...
Sabe tu encarar, sereno, o abismo!
Antero de Quental, Sonetos