quinta-feira, 30 de junho de 2011

Agora...


Agora moro mais perto do sol, os amigos
não sabem o caminho: é bom
ser assim de ninguém
nos ramos altos, irmão

do canto isento de alguma ave
de passagem, reflexo de um reflexo,
contemporâneo
de qualquer olhar desprevenido,

somente este ir e vir com as marés,
ardor feito de esquecimento,
poeira doce à flor da espuma,
apenas isso.

Eugénio de Andrade, Branco no Branco