sexta-feira, 8 de julho de 2011

Forma de inocência


Hei-de morrer inocente
exactamente
como nasci.

Sem nunca ter descoberto
o que há de falso ou de certo
no que vi,

Entre mim e a Evidência
paira uma névoa cinzenta..
Uma forma de inocência,
que apoquenta.

Mais que apoquenta:
enregela
como um gume
vertical.
E uma espécie de ciúme
de não poder ser igual.

António Gedeão, Movimento Perpétuo