segunda-feira, 26 de setembro de 2011

CORPO


As tuas mãos são ânforas vazias
que o mistério da noite não conteve.
São búzios...No seu murmúrio breve
perpassa a sombra que nos une aos dias.

Nós escutamos...Então quase sem seres
tu nos abrigas como um longo manto
que, levemente, cai em nós enquanto
te recordamos sem nos pertenceres.

E como a esperança que nos envolvera
assim ficaste, vaga, pelas claras
manhãs de sonho que te fez ausente.

Ali tu foste a paz que em nós descera,
e, depois, partes tão serenamente
como o silêncio pousa nas searas...

Fernando Guimarães, A Face Junto ao Vento