terça-feira, 6 de setembro de 2011

«Num pingo de verniz»

Num pingo de verniz
o mundo inteiro cabe

Q que se sabe e não sabe
o que se diz e não diz
luz um momento só

que enquanto o brilho escorre
e se cobre de pó
o encanto desfaz-se
dir-se-ia que morre

Mas o que aí floresce
não mais se apaga ou esquece

É o que se diz e não diz
o que se sabe e não sabe
na baça luz do verniz
enquanto morre renasce

Mário Dionísio, Memória Dum Pintor Desconhecido