quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Nuvem...


Não queiras pôr a nuvem numa caixa transparente 
ensinar-lhe as leis quotidianas
com quanto amor domesticá-la

Ela não fala
essa linguagem
Não tem lei nem morada
Uma secreta voz constantemente a chama

Amá-la é conservá-la aí nessa paragem
de instável segurança  E se quiseres guardá-la
na doce paz comum tão diferente
da paz inquieta e sempre outra em que cintila
já não é a nuvem que tu amas

e mal sujeita ao clima estranho que a mutila
desfaz-se em água e some-se na terra transformada
em lama

Mário Dionísio, Memória Dum Pintor Desconhecido