terça-feira, 14 de agosto de 2012

Vai...


PARTO

Vai, na calma da manhã,
Toda leve de não ter ideias.
Vai com as mãos cheias de milagres.

Vai fecundada,
Sem dúvidas nem medos,
E como os animais selvagens,
Vai cumprir-se em alturas iguais,
Sobre os rochedos.

Pejada de imagens,
Vai dizer ao silêncio: grita!
E à solidão que fuja, quando a vir,
E ao tojo que nasça, e se repita.

Vai a chorar e a rir,
E nunca foi tão fresca e tão bonita
Por entre as pedras vestida de sangue.

Vai esconder-se e parir.

António Norton, Poemas