sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

«Meu país desgraçado»...


Meu país desgraçado!...
E no entanto há Sol a cada canto
E não há Mar tão lindo noutro lado.
Nem há Céu mais alegre do que o nosso,
nem pássaros, nem águas...

Meu país desgraçado!...
Por que fatal engano?
Que malévolos crimes
teus direitos de berço violaram?

Meu Povo
de cabeça pendida, mãos caídas,
de olhos sem fé 
 - busca, dentro de ti, fora de ti, aonde
a causa da miséria se te esconde.

E em nome dos direitos
que te deram a terra, o Sol,  o Mar, 
fere-a sem dó
com o lume do teu antigo olhar.

Alevanta-te, Povo! 
Ah!, visses tu, nos olhos das mulheres,
a calada censura 
que te reclama filhos mais robustos!

Povo anémico e triste, 
meu Pedro Sem sem forças, sem haveres! 
 - olha a censura muda das mulheres! 
Vai-te de novo ao Mar!
Reganha tuas barcas, tuas forças
e o direito de amar e fecundar
as que só por Amor te não desprezam!

Sebastião da Gama, Cabo da Boa Esperança