sábado, 13 de abril de 2013

O amor...


« - Amor! Não quero saber disso. Não tenho tempo. É uma fraqueza.Às vezes acontece, sou homem... Satisfeito o desejo, penso noutra coisa. Não posso vencer o desejo, mas tenho-lhe ódio: embaraça o espírito. Sonho com o dia em que, libertado dessa tirania, possa consagrar-me, inteiramente, ao trabalho. As mulheres, como só prestam para o amor, atribuem-lhe uma importância ridícula. Querem persuadir-nos de que ele é a razão da sua vida. Em verdade o seu papel é nulo. O amor é uma doença e as mulheres são o instrumento do prazer. Fico exasperado com as suas pretensões de serem os nossos sustentáculos e as nossas companheiras.
[...]
 - Você devia ter vivido no tempo em que as mulheres eram vendidas em leilão.
 - Sou apenas um homem normal.[...] Quando uma mulher nos ama, só fica satisfeita quando nos possui, também, a alma. Por ser fraca faz questão de dominar, e, fora disso, nada a contenta. O seu cerebrozinho ofende-se com abstracções que é incapaz de perceber. Fica absorvida pelas coisas materiais e tem ciúmes do ideal. A alma do homem lança-se para as regiões mais recuadas do Universo e ela procura aprisioná.lo no cerco do seu livro de contas.»

Sommerset Maugham, um gosto e seis vinténs