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domingo, 28 de abril de 2013

Tempo perdido...


Bati na casa do tempo perdido, ninguém atendeu.
Bati segunda vez e mais outra e mais outra.
Resposta nenhuma.

A casa do tempo perdido está coberta de hera
Pela metade; a outra metade são cinzas.
Casa onde não mora ninguém, e eu batendo e clamo
Pela dor de chamar e não ser escutado.

Simplesmente bato. O eco devolve
Minha ânsia de entreabrir esses paços gelados.
A noite e o dia  se confundem na espera,
No bater e bater.

O tempo perdido certamente não existe.
É o casarão vazio e condenado.

Carlos Drummond de Andrade