terça-feira, 11 de junho de 2013

À beira da corrente...




À beira da corrente
Se vem sentar quem sente
Subir do coração a onda de amargura.
A lua, no céu claro,
Não faz nenhum reparo,
E a mágoa que nos dói não mancha a noite pura...

Como entre si falando,
As águas vão passando,
Cantando, se é cantar o seu chorar a rir;
E a plácida elegia,
Tão música e poesia,
Só diz o que quiser ouvir quem vem ouvir...




[...]

À beira da corrente
Se vem sentar quem tente
Beber até ao fundo o cálix muito cheio.
Na noite clara e boa,
Nem o sofrer magoa,
Porque no fim é o Mais, - a dor é só no meio...

Se já não tens mais nada
Senão olhar, da estrada,
Aléns que julgarás que nunca atingirás,
Poeta ou desgraçado, 
Vem! senta-te a meu lado:
Deixemo-nos ir até ao fundo desta paz...

José Régio