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domingo, 9 de junho de 2013

Valor do exemplo...


« Não é a Razão que governa o mundo, mas o Sentimento. 
A ideia não tem poder algum sobre as almas, enquanto se não transforma em Sentimento.

A razão pode inspirar as naturezas superiores, mas enquanto não acha o caminho da sensibilidade os seus raciocínios e conclusões em nada influem. Isso sucede em maior grau com as mulheres, mais sensíveis e mais impressionáveis. Assim como com as crianças. 
[...]  
O exemplo é o melhor instrumento de educação. Desde a infância, a criança segue-o inconsciente ainda e, mais tarde, embora mude de meio e este seja o contrário daquele em que viveu, sente uma repulsa natural pelo que não é certo e as noções recebidas na infância, cuja acção era já grande e eficaz, transformadas em instinto, continuam a exercer sobre ela a sua acção benéfica.
A criança que nunca viu senão maus exemplos, que nunca ouviu senão más palavras, que respirou, desde que nasceu um ar empestado de maus costumes, não pode escapar ao contágio de todo esse mal. 
Quem lhe ensinou o bem se ninguém lho revelou? Se ninguém lhe mostrou uma só virtude? Se entre vícios cresceu e se formou?
[...]
A obra de civilização, se a contemplarmos no seu conjunto, é comovente. Nela constatamos a luta secular do homem contra a animalidade de que provém e à qual tende sempre a descer, pois mais depressa se aprende e imita o mal do que o bem e a virtude.
Daí que essa obra de incessante aperfeiçoamento espiritual deva ser universal e a sua acção moralizadora enérgica e tenaz. A filosofia coroa-a com as palavras mais belas. A ciência sanciona-a como a solução do problema mais árduo imposto ao homem(...).»

in Folhas Esparsas, de M. Cottas - 1943