terça-feira, 2 de julho de 2013

Desconcerto...


Tive o jeito de rir, quando menino, 
Até beber as lágrimas choradas 
Com carantonhas, gestos, desatinos,
Passou a nuvem e os pequenos nadas.

A rir de escuridões, de encruzilhadas,
Tornei-me afeito logo em pequenino;
Porque ri é que trago as mãos geladas,
E choro porque ri do meu destino.

Vivi de mais um mundo idealizado
Comigo só. E só de mim descreio.
Entornava-me riso a luz em cheio

Quando o meu mundo foi principiado;
Rio agora que não sei donde me veio
Sempre o mal que me trouxe o bem sonhado.

Afonso Duarte, Ossadas