segunda-feira, 26 de agosto de 2013

A Flor Sem Nome


As rosas reuniram outra vez
uma ordem de fogo rumorosa.
E o povo bebeu
aquela rosa.

E vai crescendo em círculos,
em onda,
a pura embriaguez
daquela flor redonda.

Vai crescendo por dentro
 - vermelha, música, apertada.
E faz doer os ossos.
Vem irada

como lua de sangue
que sobe na garganta
e se agarra aos soluços e à prudência,
mas já canta.

E, sobretudo, queima.
Sobretudo coloca
um vendaval de pedras
em cada boca.

E arde.
Arde e consome
aquela flor maldita
que ainda não tem nome.

Fernando Echevarria (1929), Sobre as Horas