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domingo, 20 de outubro de 2013

Alma Perdida


Deus cria as almas aos pares;
Cada um dos seus olhares
É um casal que voou:
Às vezes cruzam os ares
Essas pombinhas o voo...
Mas Deus criou-as aos pares!

Partindo juntas de um ponto
Cuidam também que de pronto
Se tornam a ajuntar;
Mas andam almas sem conto
No mundo à busca de par...
Partindo juntas de um ponto!

A minha irmã, não sei dela!
Ao avistar, de uma estrela, 
Um filho ao colo da mãe...
Uma graça como aquela,
Só contemplando-se bem...
E a minha irmã não sei dela!

Levado daquele encanto
Pelo afecto mais santo
E mais profundo que há,
Não me lembrou se entretanto
Minha irmã ficava lá...
Levado daquele encanto!

Pobre de uma alma perdida
De uma irmã nesta vida,
Que é um contínuo gemer!
É uma noite comprida
Sem nunca lhe amanhecer...
Pobre de uma alma perdida!

Ainda quem sempre espera
Achar a alma sincera
Que Deus lhe deu por irmã...
Talvez ache a companheira,
Por quem suspira, amanhã...
Feliz de quem sempre espera!

João de Deus, Campo de Flores