sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Nas ruas de Verona...


As coisas não se vêem por metade
Ou passas e as fitas de repente
pousando um longo olhar de eternidade
que logo vai aos fumos da memória,
ou vives com elas lentamente
gastando-te com elas, nelas vendo-
-te como em espelho que te sobrevive.


Mas o passar como quem visse tudo
e ali ficasse não ficando a vida
faz que as coisas se cubram de um cristal
opaco e se diluindo em corpo falso:
aquele que é quanto então mereces.

Jorge de Sena