sábado, 14 de fevereiro de 2015

Fantasia sob um guarda-chuva ...


Julguei ser primavera... mas faz frio
e a chuva inclemente cai na hora sombria.
Acordo vagamente a dor e sinto o arrepio
de não conseguir fugir dum tempo em agonia.

Nada já faz sorrir. Pouco: esperar.

O vento não empurra as folhas a bailar 
 e contudo, a natureza em toda a parte cria.
 Em vão tento agarrar restos da doce fantasia
na expectativa vã de um vão sonhar
porque só a ternura ensina a sorrir e a amar
mesmo se a dor desencanta a vida.

 O horizonte hoje não flameja ao sol poente
e a chuva modela a ponte entre mim e mim
como fonte que goteja 
em uma alma não crente.
Turvas poças de água reflectem a pobreza de luz 
de um dia sombrio e amarrota os sons e as cores 
deste imenso Carnaval de que não rio.