quinta-feira, 4 de maio de 2017

Quando se diz beleza...


Quando fui ao teu encontro, eras apenas uma alma cativante que conhecera através da magia da tua voz, o que não admira que acontecesse porque sempre fora sensível aos cambiantes de quem sabia exprimir-se com vivacidade, correcção e encanto. Aprendera a não amar a beleza física, mas a que vinha do espírito, da sensibilidade, do saber;  e, sem dúvida, revelaste ser um ser bem falante e o som da tua voz entranhou-se em mim de tal modo que não admira tenha sofrido tanto quando me condenaste ao silêncio. 
Foste, durante algum tempo, uma voz sem rosto, um espírito sem corpo. Foi assim que me apaixonei e fui ao teu encontro, com um certo receio, mas sem a perturbação contida na ideia de não encontrar beleza física, crente, como era, de que esta um dia acaba e a admiração por ti vinha do que lera nas palavras que te ouvira e não de te imaginar atributos físicos que, aliás, recusaste desvendar. Respeitei a tua vontade e nem sei o que pretendeste com tal atitude. Não me conhecias e tiveste receio de indiscrições pouco consentâneas com a ideia que de ti fazias...talvez.
Cheguei a pensar em deformações físicas... mas nada disso afinal importava, porque fosse o que fosse, acontecesse o que acontecesse, algo em mim ficara rendido ao teu espírito, à tua forma de ser, a tudo o que de ti me fora revelado e isso era belo. E a intensidade  do afecto que te dediquei desde então nunca teve nada a ver com o teu físico, porque resistiu ao desprezo e às desilusões de todo o género quando alguém se sente tratado como coisa e não como ser humano, abandonado à porta, isento de culpa e sem remissão.
Confesso : - gosto de tudo que é belo. Sei que o sentido da beleza difere de pessoa para pessoa. 
Não sou artista; porém, cedo aprendi a privilegiar a harmonia presente em cada ser. E essa - eu amo.