quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

AQUI, DEPOSTA ENFIM...


Aqui, deposta enfim a minha imagem,
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem,
No interior das coisas canto nua.

Aqui livre sou eu - eco da lua
E dos jardins, os gestos recebidos
E o tumulto dos gestos pressentidos
Aqui sou eu em tudo quanto amei.

Não p'lo meu ser que só atravessei,
Não pelo meu rumor que só perdi,
Não p'los incertos actos que vivi,


Mas por tudo de quanto ressoei
E em cujo amor de amor me eternizei.

Sophia de Mello Bryner Andresen, Dia do Mar