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domingo, 30 de junho de 2013

Som de flauta...


Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, frágil, na escuridão tranquila,
 - Perdida voz que de entre as mais se exila,
 - Festões de som dissimulando a hora.

Na orgia, ao longe, que em clarões cintila
E os lábios, branca, do carmim desflora... 
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranquila.

E a orquestra? E os beijos? Tudo a noite, fora,
Cauta, detém. Só modulada trila
A flauta débil... Quem há-de remi-la?
Quem sabe a dor que sem razão deplora?

Só, incessante, um som de flauta chora...

Camilo Pessanha, Clepsidra