domingo, 6 de fevereiro de 2011

Cantar de ontem



Aquilo que ontem cantava
já não canta.

Morreu de uma flor na boca;
não do espinho na garganta.

Ele amava a água sem sede,
e, em verdade,
tendo asas fitava o tempo,
livre de necessidade.

Não foi desejo ou imprudência:
não foi nada.
E o dia toca em silêncio
a desventura cansada.

Se isso é acaso desventura:
ir-se a vida
sobre uma rosa tão bela,
por uma ténue ferida.

Cecília Meirelles