segunda-feira, 27 de junho de 2011


Encostas a face à melancolia e nem sequer
ouves o rouxinol. Ou é a cotovia?
Suportas mal o ar, dividido
entre a fidelidade que deves

à terra de tua mãe e ao quase branco
azul onde a ave se perde.
A música, chamemos-lhe assim,
foi sempre a tua ferida, mas também

foi sobre as dunas a exaltação..
Não oiças o rouxinol. Ou a cotovia.
É dentro de ti
que toda a música é ave.


Eugénio de Andrade, Branco no Branco