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sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Escrínio aberto...


… ao ver cair o cinzento da tarde 
cortadas as amarras para o mundo 
recolho as flores cinzentas 
 do anoitecer tardio e baço  
num murmúrio  
em que digo: não! 
recuso-me a entrar em outras vidas
mesmo se leitosas com laivos de  lua 
porque a mim  se agarram para sempre…

…quase terna , a hora de agasalhar o momento 
vê-me afundar na imagem do silêncio da tarde que chora
  e sussurra que sabe que deixei há muito de chorar…
e sabe porquê -  mas pouco importa 
por saber também que importou demais.

Narcisa de Belém



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