quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Erosão

As terras envelhecem como as pessoas.
São meninas
são adultas
são caducas.
Dói ver morrer
mesmo sendo casas
pedras.
Dói que o silêncio
entre nas aurículas
e aí seja musgo
paz saqueada.
Dói tanta coisa:
até um western
numa cidade fantasma.
Dói tudo que finda
e a findar nos mata.

As terras envelhecem como as pessoas.
São hoje
são amanhã.
são ontem.
São futuro
são urtigas
são remorso.
São o próprio desejo
de acabar.

Fernando Namora, Marketing