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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

"Presença"...


           
       Coimbra, 16 de Julho de 1953.

Por palavras te chamo e te conheço,
E por tristes palavras te defino:
Eras Deus no começo,
És agora Destino,
E a manhã serás Medo ou Covardia...
Mas tão sozinho aqui me encontro e sinto,
Que preciso, no instinto,
De companhia.

E um nome basta a quem não tem mais nada.
Com ele, ao menos, pode a mão fechada
Abrir-se e tactear o pesadelo...
Ninguém ainda; mas o som povoa
O silêncio que aperta e que magoa
As almas que não sabem recebê-lo.

Miguel Torga, Diário VII