quarta-feira, 7 de abril de 2010

Abrir uma janela...



Quando abri uma janela para a vida
Jorraste qual luz e alegria
Na minha solidão
Senti o calor do sol
E vi o céu de anil
E não foi ilusão
A melodia da tua voz
Única entre mil
Que se tornou tão querida

E tecido o laço
Da música das palavras
Talvez insinceras, talvez vãs,
Surge a ternura do abraço
Na saudade das manhãs

...E porque a sinto
E a pressinto
Como razão p'ra viver
Acredita: não te minto
Ao confessar-te baixinho
Num enleio
Que a ausência desse carinho
Faz o lento momento
Ensandecer.

Sophia Guiomar, Poemetos