Mostrar mensagens com a etiqueta amor. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta amor. Mostrar todas as mensagens
quarta-feira, 10 de julho de 2019
quinta-feira, 4 de julho de 2019
"Amargo estilo novo"
Tudo é fácil quando se está a brincar com a flor entre os dedos,
quando se olham nos olhos as crianças,
quando se visita no leito o amor convalescente.
É bom ser flor, criança ou ser doente.
Tudo são terras donde brotam esperanças,
pétalas, tranças,
a porta do hospital aberta à nossa frente.
Desde que nasci que todos me enganam,
em casa, na rua, na escola, no emprego, na igreja, no quartel,
com fogos de artifício e fatias de pão besuntadas com mel.
E o mais grave é que não me enganam com erros nem com falsidades
mas com profundas, autênticas verdades.
E é tudo tão simples quando se rola a flor entre os dedos!
Os estadistas não sabem,
mas nós, os das flores, para quem os caminhos do sonho não guardam segredos,
sabemos isso e todas as coisas mais que nos livros não cabem.
António Gedeão, in Poesias Completas
quarta-feira, 6 de março de 2019
"Vento no rosto"
À hora em que as tardes descem,
noite aspergindo nos ares,
as coisas familiares
noutras formas acontecem.
As arestas emudecem.
Abrem-se flores nos olhares.
Em perspectivas lunares
lixo e pedras resplandecem.
Silêncios, perfis de lagos,
escorrem cortinas de afagos,
malhas tecidas de engodos.
Apetece acreditar,
ter esperanças, confiar,
amar a tudo e a todos.
António Gedeão, in Poesias Completas
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019
quinta-feira, 24 de janeiro de 2019
Busca da verdade...
A montanha por achar
Há de ter, quando a encontrar,
Um templo aberto na pedra
Da encosta onde nada medra.
O santuário que tiver,
Quando o encontrar, há-de ser
Na montanha procurada
E na gruta ali achada.
A verdade, se ela existe,
Ver-se-á que só consiste
Na procura da verdade,
Porque a vida é só metade.
Fernando Pessoa, in Inéditos
sábado, 19 de janeiro de 2019
Noite e solidão
Quero uma solidão, quero um silêncio,
uma noite de abismo e a alma inconsútil,
para esquecer que vivo - libertar-me
das paredes , de tudo o que aprisiona;
atravessar demoras, vencer tempos
pululantes de enredos e tropeços
quebrar limites, extinguir murmúrios,
deixar cair as frívolas colunas
de alegorias, vagamente erguidas.
Ser tua sombra, tua sombra apenas,
e estar vendo e sonhando à tua sombra
a existência do amor ressuscitado.
Falar contigo [só] pelo deserto.
Cecília Meireles
quarta-feira, 9 de janeiro de 2019
Neve branca...
Os anjos os anjos no céu
Um trajado de oficial
Outro de cozinheiro
E os outros cantam
O garboso oficial da cor do céu
A primavera doce muito para lá do Natal
Premiar-te-á com um raio luminoso
De um bonito sol
O cozinheiro depena os gansos...
Ah! cai a neve
Cai e eu...
Não tenho a minha amada
entre os meus braços
La blanche neige - Guillaume Apollinaire [1880-1918], in Alcools
segunda-feira, 7 de janeiro de 2019
domingo, 6 de janeiro de 2019
A fábula das três almas
«Subindo para o céu, seguiam três almas virgens. A lua abraçava-as em um raio de luar e as estrelas acendiam-se para recebê-las.
Travaram conversa.
_ Eu fui princesa - disse uma. - Sobre o meu mausoléu há uma palma de ouro e um serafim de mármore branco. Tenho saudades do meu palácio.
- Eu fui monja - disse a outra. - Sobre o meu túmulo caem os ramos das religiosas e as flores das devotas. Meu corpo está no claustro com Deus, como eu, que subo para o paraíso. Tenho saudades das harmonias místicas do órgão nos dias de festa.
E a terceira disse:
- Eu fui pastora. Meu corpo está no cemitério da aldeia. O meu noivo guarda-o e, como não é tempo de flores, chora todas as noites sobre o meu túmulo lágrimas sinceras. Tenho saudades do meu noivo.
E uma estrela, ouvindo a conversa das almas, perguntou a outra:
- Qual é a mais feliz das três?
Suspirando, a estrela respondeu:
- A noiva, porque foi amada.»
** Toda a fábula tem, pelo menos, uma intenção.
Hoje, dia consagrado aos Reis Magos, também eles pertencendo ao mundo da fábula e à busca incessante de caminhos, encontrámos esta lenda plena de poesia e alguma, senão muita, verdade.
Encontrar uma luz no caminho de cada um de nós é algo que inspira, que dá força para lutar contra as dificuldades de uma existência difícultada por abrolhos... E isso é bom.
sábado, 8 de novembro de 2014
Rosa branca à chuva...
Imagem da web
Do meio da névoa, a manhã chorava sobre as rosas
num pranto doce, com meneios dançantes, ritmados.
Pobres rosas de Outono de corolas pendidas,
injustamente estremecidas pelo vento acre, sem calor...
A manhã, o dia e as rosas
choravam por ti, por mim, por nós,
exaustos e sem cor.
Por todos nós, amor.
domingo, 4 de maio de 2014
Minha Mãe
Quando minha alma estende o olhar ansioso
Por esse mundo a que inda não pertenço,
Das vagas ondas desse mar imenso
Destaca-se-me um vulto mais formoso;
É minha santa mãe! berço mimoso
Donde na minha infância andei suspenso;
É minha santa mãe, que vejo, e penso
Verei sempre se Deus é piedoso.
Como línguas de fogo que se atraem,
Avidamente os braços despedimos
Um para o outro, mas os braços caem...
Porque é então que olhamos e medimos
A imensa distância donde saem
Os ais da saudade que sentimos!
João de Deus, Campo de flores
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Embora tenhas o olhar enxuto...
Embora tenhas o olhar enxuto
Tu algum dia deves ter chorado...
Por mais azedo e mau que seja o fruto
Há sempre alguma flor no seu passado.
Eu sou a cinza, amor, tu és a chama
Sinto que em nós a noite se insinua,
Essa noite que tem, para quem ama,
Amar melhor, persuasões de lua...
E a luz do teu olhar, no meu apago-a
Pra que não vejas para além de mim...
E à tua imagem, no meu peito, afago-a
Como um perfume esparso num jardim...
Domingos Monteiro (1903) - Evasão
Domingos Monteiro (1903) - Evasão
sábado, 12 de abril de 2014
Erótica...
A noite descia,
Como um cortinado,
Sobre a erva fria
Do campo orvalhado
E eu ( fauno em vertigem,
A rondar em torno
Do teu corpo virgem,
Sonolento e morno),
Pensava no lasso
Tombar do desejo;
Em breve, o cansaço
Do teu último beijo...
E no modo como
Sentir menos fácil
O maduro pomo
Do teu corpo grácil.
Ou, sem lhe tocar
- De tanto o querer! -
Ficar a olhar ,
Até o esquecer,
Ou como, por entre
Reflexos do lago,
Roçar-lhe no ventre
Luarento afago;
Perpassando os meus,
Nos teus lábios húmidos,
Meu peito nos teus
Brancos
seios
túmidos...
quinta-feira, 10 de abril de 2014
AMOR
Amas de mais, não possuis
o amor que a todos vem.
Quem ama tudo não pode
ser amado por alguém.
Amor de tudo! - ninguém,
mas o coração mais fecundo
que, por beijar de outro modo,
só tarde vive no mundo!
De longe o sol nos aquece,
de longe nos abre focos.
- Ó cinco chagas de Cristo,
no espelho de misantropos!
Só chega ao Sol quem tem asas
para um voo longo e leve
- quem antes que a luz o cegue
chega lá desfeito em brasas!
Edmundo de Bettencourt (1899-1973)
terça-feira, 25 de março de 2014
Olhos que choram...
Tristes cantigas de amor
Meus olhos que por alguém
Deram lágrimas sem fim,
Já não choram por ninguém
- Basta que chorem por mim.
Arrependidos e olhando
A vida como ela é,
Meus olhos vão conquistando
Mais fadiga e menos fé.
Sempre cheios de amargura!,
Mas se as coisas são assim,
Chorar alguém - que loucura!
- Basta que eu chore por mim!
António Botto(1897-1959)
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Amar a criança...
«A criança não pode escolher por si, nem tem experiência, nem espírito crítico para se defender de uma má leitura.»
«O primeiro critério que devemos seguir na escolha de um livro infantil é a qualidade(...). O livro infantil deve ser sensível e apurado para apurar e afinar a sensibilidade da criança(...). Deve ser um livro inteligente para desenvolver e esclarecer a inteligência e apurar o pensamento. Deve alimentar a imaginação, poi o homem não se cria só através da necessidade, mas também através do desejo. E o livro infantil deve acordar a consciência, deve acordá-la agudamente, inequivocamente, para que a criança desenvolva o sentido da responsabilidade, da liberdade e da escolha. Um bom livro não é necessariamente um livro didáctico, mas é sempre necessariamente um livro educador.»
Sophia de Mello Breyner Andresen - excertos de entrevista ao Diário de Lisboa (1964)
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Elegia do Amor...
Lembras-te, meu amor,
Das tardes outonais,
Em que íamos os dois,
Sozinhos, passear,
Para longe do povo
Alegre e dos casais,
Onde só Deus pudesse
Ouvir-nos conversar?
Tu levavas na mão
Um lírio enamorado,
E davas-me o teu braço;
E eu, pálido, sonhava
Na vida, em Deus, em ti...
E além o Sol doirado
Morria conhecendo
A noite que deixava.
Harmonias astrais
Beijavam teus ouvidos;
Um crepúsculo terno
E doce diluía,
Na sombra, o teu perfil
E os montes doloridos...
....................................................
Teixeira de Pascoais (1877-1852] - [excerto]
sábado, 3 de agosto de 2013
Harmonia da tarde
Voici venir les temps où vibrant sur sa tige
Chaque fleur s' é vapore ainsi qu' un encensoir;
Les sons et les parfums tournent dans l' air du soir,
Valse mélancolique et langoureux vertige!
Chaque fleur s´é vapore ainsi qu' un encensoir;
Le violon frémit comme un coeur qu' on afflige;
Valse mélancolique et langoureux vertige!
Le ciel est triste et beau comme un grand reposoir.
Le violon frémit comme un coeur qu' on afflige,
Un coeur tendre, qui hait le néant vaste et noir!
Le ciel est triste et beau comme un grand reposoir;
Le soleil s' est noyé dans son sang qui se fige.
Un coeur tendre, qui hait le néant vaste et noir,
Du passé lumineux recueille tout vestige!
Le soleil s' est noyé dans son sang qui se fige;
Ton souvenir en moi luit comme un ostensoir!
Baudelaire (1821-1867), Les Fleurs du Mal
terça-feira, 30 de julho de 2013
O Abraço...
Alta rocha, sustém-me, que esmoreço!
De amor não sei se estou para expirar...
Como me anseia... Enquanto não faleço,
Com a noite quero aqui desabafar.
Ó meu, ó meu amor, aonde fugiste,
Onde estou eu agora e onde estava?
A alma começa a conhecer o que existe.
Que até agora sabia só que amava.
Não estive num mar quase afogado,
De inefável, angélica ternura?...
Respiro apenas... inda estou cercado
De estranha, grossa nuvem de luz pura.
De amor prodígios, inda não ouvidos,
Que absorto sinto e que entender não sei!...
Solta-me a alma dos mortais sentidos,
Ou acordo de um sonho?... Ah! não sonhei.
Não, não sonhei; que estes teus braços vejo
Inda na acção de me abraçar, pasmados!
Não sonhei, não; que inda o celeste beijo
Gozo nos beiços mais que namorados.
Sinto estalar-me docemente o peito
Com ímpetos dum coração que é teu;
Coração que em amor se viu desfeito
Na doce vizinhança desse meu.
[...]
José Anastácio da Cunha (1744-1787)
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Subscrever:
Mensagens (Atom)

































.jpg)


.jpg)



