quinta-feira, 1 de abril de 2010

Receber a chuva...



Ergo o rosto para receber a chuva, no rosto que me escalda.
Tenho medo do eco das bofetadas que a vida me deu, como se não fora mãe, mas sim madrasta. Houve demasiada dor pelo caminho, demasiados sonhos onde o afecto era um anelante sufoco, demasiadas ilusões sem futuro...esfarrapadas.
E porque algo teria de ter sido diferente?... Assim, como num golpe de mágica?...
...
O céu, cinzento claro, apresenta o semblante fechado por nuvens que um vago sol ilumina, carrancudo.
Agora, a chuva rompe e deixo que me lave o sal das lágrimas que escorrem ainda, gordas e teimosas.
...Não é reconhecida a alegria desse anseio distante, cada vez mais longínquo... assim, como pensar no dia dum abraço...
Em vez dele, sempre a longa espera que leva ao cansaço...
E há um leve resto de prazer em oferecer às bátegas da chuva a face encharcada.