domingo, 15 de maio de 2011

Almas



Eu creio nos fantasmas
Dos mortos e dos vivos.
E com eles divago
Na solidão da noite
Quando o luar inunda o meu jardim de sombras
E as árvores extáticas
Dir-se-á que estão a ouvir o que lhes diz o vento.

Vejo-os, falo com eles, no arrepio
Do medo que perturba o céu nocturno
E o mundo indefinido e sobrenatural...
Fico louco de espanto! Nos meus olhos
Sinto fazer-se estranha claridade
Que me desvenda a noite do Mistério
E o segredo em que os anjos aparecem
Diante de nós nas trevas da agonia...

Sou também um espectro
Surgindo além das cousas transitórias
Onde, num sono eterno adormecida,
Paira a sombra de Deus pulverizada de astros.

Eu creio nos fantasmas
Dos vivos e dos mortos...

Augusto Gil, Cânticos