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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Câncer...



E de repente tudo se afastou - rostos, árvores, o mar, 
objectos, acontecimentos, a poesia - longe,mais 
  longe,
na margem doutra costa - ele via-os, não os via.
  Eram eles
que tinham partido e o deixaram, ou ele? A morte,
imóvel, habitava-o até à ponta das unhas. A noite - 
ouvia dentro de si esta imensa imobilidade. No entanto, 
antes de dormir e ao acordar, continuava a lavar
com regularidade os dentes com a velha escova usada,
mostrando assim, todo branco e limpo, o seu último
  sorriso.

 Eugénio de Andrade, in Trocar de Rosa

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