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domingo, 3 de março de 2019

Do Carnaval


Parece-me que sim...



Parece-me...não sei que me parece...
Que me par'cia há pouco...que per'cia;
Não sei se a ilusão des'pareceria:
Vejamos se ela agora reaparece.

Não costuma par'cer ao que parece
Que parece, senão que per'ceria:
Parece-me isto a mim, e par'ceria 
A qualquer outro: a ti que te parece?

Lá vem a ilusão reaparecendo!...
Custa a par'cer-me agora que pereço:
Mas...com certeza vou... cá vou per'cendo!...

Devo par'cer sem cor?... pois não pareço?!
Já me par'ceu o que me está par'cendo - 
Talvez eu não pereça... não pereço.

João de Deus, in Campo de Flores

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Fantasia sob um guarda-chuva ...


Julguei ser primavera... mas faz frio
e a chuva inclemente cai na hora sombria.
Acordo vagamente a dor e sinto o arrepio
de não conseguir fugir dum tempo em agonia.

Nada já faz sorrir. Pouco: esperar.

O vento não empurra as folhas a bailar 
 e contudo, a natureza em toda a parte cria.
 Em vão tento agarrar restos da doce fantasia
na expectativa vã de um vão sonhar
porque só a ternura ensina a sorrir e a amar
mesmo se a dor desencanta a vida.

 O horizonte hoje não flameja ao sol poente
e a chuva modela a ponte entre mim e mim
como fonte que goteja 
em uma alma não crente.
Turvas poças de água reflectem a pobreza de luz 
de um dia sombrio e amarrota os sons e as cores 
deste imenso Carnaval de que não rio.