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segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Sorriso...

[29.10.1935]
Teus olhos entristecem
Nem ouves o que digo  
Dormem, sonham, esquecem...
 Não me ouves e prossigo.

Digo o que já, de triste,
Te disse tanta vez... 
Creio que nunca o ouviste
De tão tua que és.


Olhas-me de repente
De um distante impreciso
Como um olhar ausente,
Começas o sorriso.

Continuo a falar
Continuas ouvindo
O que estás a pensar,
Já quase não sorrindo.

Até que neste ocioso
Sumir da tarde fútil
Se esfolha silencioso
O teu sorriso inútil.


Fernando Pessoa,  in  Cancioneiro

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