sábado, 30 de abril de 2011

Envelhecer



Pouca gente sabe envelhecer.
A maioria conta a mocidade através do tempo e os anos pesam como quilos sobre os ombros.
E curvam a face lentamente para a terra, temendo encarar o céu.
Malba Tahan diz, a respeito, o seguinte:

O homem vulgar envelhece com o desfilar dos dias e o amontoar dos anos. Um espírito superior, porém, alheio ao escoar inexorável do tempo, só se sente envelhecer com a perda dos ideais, com o aniquilamento das ilusões e com o abandono dos sonhos.
É jovem aquele cuja coragem excede a timidez. Implanta-se a senectude naquele em que a ânsia de aventura é vencida pelo desânimo e que só ambiciona o viver tranquilo e repousado.
Que importa ter noventa, trinta ou dezassete anos?
Que importa?
És jovem com a tua fé e velho com a tua dúvida.
Meço-te a mocidade pela confiança e esplendor dos teus sonhos.
Avalio e peso a tua ansiedade pelo cepticismo mórbido que te envenena o coração.


Reconheço que envelheci muito de repente... Conservo ideais, mas os sonhos não os acompanham.
E o cepticismo toma dia a dia conta da minha alma onde a última tempestade deixou marcas demasiado fundas.