sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Pequena Metáfora da Aranha e da Mosca


Invisíveis fios de oiro à luz do sol sem vento
a solitária aranha preparou.
Como que dorme, agora. Aguarda o alimento:
um pequenino insecto desatento,
um impensado voo.

A mosca vem. Zumbe no ar. Esvoaça,
desprevenida, rápida, contente.
A solitária aranha sente a caça;
comprime-se no canto. E a mosca passa
mesmo ao lado da morte, velozmente.

Regressa. logo após. Mergulha. Evita
uma vez mais a morte certa. A teia
treme. A aranha freme. A morte grita.
A mosca - essa - permanece alheia.


Ziguezagueia, impávida. Descreve
três círculos concêntricos no espaço.

António Luís Moita, Sal