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domingo, 10 de fevereiro de 2013

«Crépuscule...»


Crepúsculo

Não é a noite, é a lua. O céu, doce
como um copo de leite, faz-te sorrir, meu querido apaixonado.
E falas-me deles. Embelezam-te a alma,
embelezam a tua casa, embelezam-nos a vida.
São demasiados, amigo : pai, mãe, filhos, esposa,
 a não serem felizes.
Entretanto, o teu sonho é tranquilo,
e eu suponho demais.

Paul Éluard - (tradução)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

«Meu país desgraçado»...


Meu país desgraçado!...
E no entanto há Sol a cada canto
E não há Mar tão lindo noutro lado.
Nem há Céu mais alegre do que o nosso,
nem pássaros, nem águas...

Meu país desgraçado!...
Por que fatal engano?
Que malévolos crimes
teus direitos de berço violaram?

Meu Povo
de cabeça pendida, mãos caídas,
de olhos sem fé 
 - busca, dentro de ti, fora de ti, aonde
a causa da miséria se te esconde.

E em nome dos direitos
que te deram a terra, o Sol,  o Mar, 
fere-a sem dó
com o lume do teu antigo olhar.

Alevanta-te, Povo! 
Ah!, visses tu, nos olhos das mulheres,
a calada censura 
que te reclama filhos mais robustos!

Povo anémico e triste, 
meu Pedro Sem sem forças, sem haveres! 
 - olha a censura muda das mulheres! 
Vai-te de novo ao Mar!
Reganha tuas barcas, tuas forças
e o direito de amar e fecundar
as que só por Amor te não desprezam!

Sebastião da Gama, Cabo da Boa Esperança

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Defesa


O Sol é meu e dos meninos ricos...

-Triste de quem não vê florir as rosas!
Triste de a quem somente foram dadas
ruas sombrias, lôbregos desvãos!

Ah!, mas não tenho a culpa. Sou moreno,
sou forte, porque o Sol me quer assim.
Digam ao Sol, se entendem, que se esconda:
não me peçam a mim que esconda as mãos,
nem que neguem meus olhos e meus lábios
o milagre de o Sol gostar de mim!

Sebastião da Gama, Cabo da Boa Esperança