sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Estranha forma de ser


Temera fechar a porta à ternura.
Quase enlouquecera ao senti-la longe;
Sofrera para fugir do encanto que fora ter amado
Alguém... Ou uma ilusão?
Não quisera ser assim... estranho esse seu jeito de ser
Em saber afinal que não a ter encontrado
- A essa ternura dum recente passado -
Teria sido a negação
De dizer, a si e ao mundo,
Nada ter sido verdade
Em tudo o que volvera uma doce saudade.
...Tal como o porquê de nunca haver-se apaixonado.

Nunca, no horizonte da vida,
Surgira o homem certo.
Esse só viera tarde, com o vento,
E partira com o bom tempo
Quando era já possível namorar o mar.
Porém, nem sequer pudera contemplar
Os acenos elegantes das gaivotas,
E os olhos aguados resguardar
Para não chorar
Ao sol do frio inverno.


Sophia Guiomar, Poemetos