quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Poema de saudade



Nos meus olhos secou-se aquela fonte
Donde brotava dor e ânsia desmedida
E não sou mais a sereia encanecida
Que devorava os símbolos e a paisagem
Esperando reconhecer a tua imagem
No caos da forma e linha conhecida
Na bruma envolvida de horizonte
Ou no estagnar aquoso da descida

Também eu mudei não sei se bem
Mas mudei realmente a desprazer
Tentando olvidar as linhas do teu rosto
Que amei e execrei com tanto querer

Agora que o Outono caricioso chega
Vestindo belas galas de castanho
Vívido ainda arroxeado de encanto
Tento em vão segurar o pranto
Que a brisa arrepia ao entardecer
Num desfalecer mórbido de sono
Prenhe de ternura e de quebranto
Ainda pleno do encanto de viver

Firme contudo na força da verdade
Macerada e humilde escravizada e terna
Murmuro no dealbar morno do dia
Ou da noite enlutada a mesma litania
Adeus amor vadio. Adeus para sempre
Ficarei sem ti até à eternidade


Sophia Guiomar[02-09-2009]