terça-feira, 25 de maio de 2010

Mar do tempo




É tão suave ouvir o respirar
Da noite que circunda os meus cansaços
Que atrai sonhos enigmáticos e baços
Para a beleza dessa música que é a tua

Atenta espreito então o céu sem lua
E fixo o olhar exangue na senda dos espaços
Onde lucila uma estrela agónica e soturna
Na escuridão de insectos feitos astros

E olho as minhas mãos molhadas pelo mar
Naquele salgado arfar da escuridão nocturna
Plena de murmúrios dolentes e devassos
Que me encantam e envolvem como se falua
Fosse e espreitasse
O mar na tempestade
Curiosa da sua força e da sua intensidade

Então recolho a mim de novo
E no silêncio deixo que a calma
Penetre na minh' alma
Reescreva o périplo do sonho
E paute a melodia
Para poder renascer em harmonia
E saber ofertar-te rosas no amanhecer.

Sophia Guiomar, Poemetos