Vestiu-se para um baile que não há.
Sentou-se com as suas últimas jóias.
E olha para o lado, imóvel.
*
Está vendo os salões que se acabaram,
embala-se em valsas que não dançou,
levemente sorri para um homem.
O homem que não existiu.
*
Se alguém lhe disser que sonha,
levantará com desdém o arco das sobrancelhas,
pois jamais se viveu com tanta plenitude.
Mas para falar da sua vida
tem de baixar as quase infantis pestanas,
e esperar que se apaguem duas infinitas lágrimas.
Cecília Meireles



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