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terça-feira, 28 de agosto de 2012

"Ocidente"...


Com duas mãos - o Acto e o Destino - 
Desvendámos. No mesmo gesto, ao céu
Uma ergue o facho trémulo e divino
E a outra afasta o véu.

Fosse a hora que haver ou a que havia
A mão que ao Ocidente o véu rasgou,
Foi alma a Sciência e corpo a Ousadia
Da mão que desvendou.

Fosse Acaso, ou Vontade, ou Temporal
A mão que ergueu o facho que luziu,
Foi Deus a alma e o corpo Portugal
Da mão que o conduziu.

Fernando Pessoa, Mensagem

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Na Amareleja...

terça-feira, 14 de julho de 2009

Canção sexta - Joaquim Pessoa

Canção Sexta

por Joaquim Pessoa

Nós sabemos do mar a cor violenta
e o sal dentro das veias a latir.
O dia é uma ave lenta, lenta
voando sobre o Tejo. Até cair.

E nas mãos guardamos essa ave
que nos tinge de sangue o litoral.
A cor dos nossos olhos só a sabem
os que nascem aqui. Em Portugal.

Os que lutam às portas de Lisboa
respirando nas ondas e no tempo
este azul tão selvagem que magoa
as gaivotas prenhes pelo vento.

Os que tombam às portas da cidade
sobre um lençol de feridas e de fogo.
Sem nome. Sem culpa. Sem idade.
Que assim morrem os homens deste povo.