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terça-feira, 21 de maio de 2019

...A Primavera esquece nos barrancos...



Jan Baptist Bosschaert  - Still Life of Flowers

Há um Poeta em mim que Deus me disse...
A Primavera esquece nos barrancos
As grinaldas que trouxe nos arrancos
Da sua efémera e espectral ledice... 

Pelo prado orvalhado a meninice
Faz soar a alegria os seus tamancos...
Pobre de anseios teu ficar nos bancos 
Olhando a hora como quem sorrisse ...


Florir do dia a capitéis de Luz...
Violinos do silêncio enternecidos...
Tédio onde o só ter tédio nos seduz...

Minha alma beija o quadro que pintou...
Sento-me ao pé dos séculos perdidos
E cismo o seu perfil de inércia e voo...

Fernando Pessoa, in Cancioneiro - poema II de Passos da Cruz

domingo, 9 de junho de 2013


Aldo Luongo   


« Quarta, 3 de Junho.

Invade-me a infinita tristeza da existência, o tédio infinito da vida, dos homens e das coisas. 
Tudo é de uma instabilidade asquerosa!
Se eu pudesse ao menos - ser alegre e abafar no ruído este aborrecimento sem fim!  
Às vezes lamento-me de não ter nascido estúpido, muito estúpido, como a estupidez.»

Manuel Laranjeira, Diário Ìntimo -1908