quarta-feira, 3 de março de 2010

Em louvor do poeta anónimo




Tinha a idade de uma flor
Em seu enleio embebida
E a viola era o seu modo
Amante de estar na vida.

No amor nascera o rio
Que o coração lhe inundava.
Nascera o rio no amor
Mas o fim não lhe enxergava.

De cada vez que tocava
No infinito se perdia
Do corpo dessa viola
Que mais amor lhe pedia.

Ficou entre nós o tempo
Em que fica uma andorinha.
Deu-nos essa primavera
Porque deu tudo o que tinha.

Foi-lhe o corpo atrás da alma
Que lhe pedia mais amor.
O seu nome ninguém sabe.
Dizem que era Trovador.

Natália Correia, Inéditos