Powered By Blogger

Translate

Mostrar mensagens com a etiqueta menina triste. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta menina triste. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Conta-me contos...

[23-05-1916]
Não sei, ama, onde era,
Nunca o saberei...
Sei que era primavera
E o jardim do rei...
(Filha, quem o soubera!...)

Que azul tão azul tinha
Ali o azul do céu!
Se eu não era a rainha, 
Porque era tudo meu?
(Filha, quem o adivinha?)


E o jardim tinha flores 
De que não me sei lembrar... 
Flores de tantas cores.... 
Penso e fico a chorar...
(Filha, os sonhos são dores...)


Qualquer dia viria
Qualquer coisa a fazer
Toda aquela alegria
Mais alegria nascer
( Filha, o resto é morrer...)


Conta-me contos, ama... 
Todos os contos são
Esse dia, e jardim e a dama 
Que eu fui nessa solidão...

Fernando Pessoa, in Cancioneiro

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Menina...


A menina era bela?
A menina era feia?
Não se sabe quem o visse. 
Nos seus olhos, a menina,
A menina, era triste.

Se a menina nos olhava
Lá no fundo que haveria?
Uma ave que passava? 
Um breve sol que floria? 
Uma verdade? Uma sombra? 
Se a menina nos olhava 
Lá no fundo que sofria? 


Húmida água que sonha. 
Húmida água, sem dia. 


Maria Aliete Galhoz
in Poeta Pobre

sábado, 22 de outubro de 2011

Menina Triste



A menina era bela?
A menina era feia?
Não se sabe quem o visse.
Nos seus olhos, a menina,
A menina, era triste.


Se a menina nos olhava
Lá no fundo que haveria?
Uma ave que passava?
Um breve sol que floria?
Uma verdade? Uma sombra?
Se a menina nos olhava
Lá no fundo que sofria?

Húmida água que sonha.
Húmida água, sem dia.

Maria Aliete Galhoz in «Poeta Pobre»