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terça-feira, 26 de março de 2019
sexta-feira, 30 de março de 2018
"Páscoa"...
Anho do sacrifício
Que o ritual impõe,
É um balido discreto que lhe pedem
Homens e deuses, feras fraternais:
Que o perfume
Dum lírico queixume
Enterneça os fiéis sentimentais.
Mas o cordeiro agónico protesta.
E a paz familiar da festa
É perturbada.
Sem qualquer conivência,
A violência
Tem de ser friamente consumada.
Junta-se então,
No altar da imolação,
A pura crueldade
À impura liturgia.
E o sangue do poeta assassinado,
A correr como um verso derramado,
É um hino rubro à eterna rebeldia.
Miguel Torga, in «Câmara Ardente», 1962
domingo, 16 de junho de 2013
Universalidade
Aqui declaro que não tem fronteiras.
Filho da sua pátria e do seu povo,
A mensagem que traz é um grito novo,
Um metro de medir coisas inteiras.
Redonda e quente como um grande abraço
De pólo a pólo, a sua humanidade,
Tendo raízes e localidade,
É um sonho aberto que fugiu do laço.
Vento da primavera que semeia
Nas montanhas, nos campos e na areia
A mesma lúdica semente,
Se parasse de medo no caminho,
Também parava a vela do moinho
Que mói depois o pão de toda a gente.
Miguel Torga
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