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sábado, 27 de fevereiro de 2010

Bruma no horizonte




Horas. Nove...Dez...
Que importa?
Veio o tempo
Bater sempre à minha porta
Sem que lhe desse permissão
De entrar.

Ficou.
E a mágoa que deixou
Conta-se nos minutos
Que encontrou
No tecer da vida
Por passar.

Sophia Guiomar - Poemetos [10-09-2005}

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Roubar o sol

Sínfese

Roubo-te o sol. Roubo-te sem medo
Roubo-te esse teu orgulho imenso , essa vaidade tola
Que te fez entre as mulheres a mais bela aurora
E que te deu cada homem como escravo teu.

Roubo-te o sol. E nesta hora de fatal loucura
Em que nossas bocas em vão já se procuram
Deixa-me dizer-te como és tola e bruta
E como não mereces que eu te ame agora.

Vai. Vai-te sem o sol que eu te roubei agora
E mostra-te com és, vaidosa e tola
Sem artefactos, sem ilusões e sem pintura.

E procura à tua volta os teus escravos de ontem.
Procura-os que talvez os não encontres.
E depois volta... que eu estou à espera tua...

Pullcs Milker



sábado, 25 de julho de 2009

Recurso



Recurso

Foi um sorriso o gesto que ficou
de me desperdiçar sem desalento:
uma pequena onda, no momento
mais trágico do mar - pequena e só.

Tudo evoluiu; apenas alvo e puro
prolonga-se o momento em jogo breve
dum sorriso que ficou a quem não teve
a âncora firmada em cais seguro.

De resto, o vendaval foi amansado
perante a tempestade dum sorriso
(tempestade oculta, como um guizo
que ninguém agitou, por ser cansado).

Dentro do meu cais, desfez-se a bruma.
Um sorriso domou a tempestade.
E o mundo se jogou na imensidade
duma pequena coisa, apenas uma.

Fernanda Botelho, As Coordenadas Líricas, 1951