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sexta-feira, 16 de novembro de 2018
sábado, 23 de setembro de 2017
L'ETE INDIEN- [JOE DASSIN ] que antecede o outono dos amores...
Luís Romero
As cores do outono quentes, vivas,
conservam todo o sabor
que o verão emprestou...
com as tonalidades das paixões vividas
aquecem o ar,
dominam os cabelos do vento
e este faz-se doce ao embalar de manso
tudo que é já frágil
e anseia descanso...
A claridade é diáfana
as nuvens rosadas ao sol poente
e a paz chega de uma forma quente
e aprende-se a amar as últimas rosas
não com a ânsia sem medida
de quem é jovem e voraz
mas dos que experimentam o outono
dum tempo outrora pleno de promessas
e se preparam a encarar com galhardia
o mistério da morte, essa eterna ferida...
Lá vai mais uma folha ao vento
pisada, macerada,
cumprido que foi o seu ciclo de vida...
Folhas cansadas são as que o vento leva
de gentes que amaram
sofreram, choraram...e sossobraram
abraçando lúcidas, conscientes,
o seu sonho de amor.
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
terça-feira, 10 de setembro de 2013
Três ou quatro sílabas...
Neste país
onde se morre de coração inacabado
deixarei apenas três ou quatro sílabas
de cal viva junto à água
É só o que me resta
e o bosque inocente do teu peito
meu tresloucado e doce e frágil
pássaro das areias apagadas
Que estranho ofício o meu
procurar rente ao chão
uma folha entre a poeira e o sono
húmida ainda do primeiro sol
Eugénio de Andrade, Véspera da Água
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Escrito na Cal
Este país é o teu, este ardor apagado,
este feixe de coisas tristes e lentas;
para morrer não tens outro chão, para sonhar
basta o trigo maduro e a luz inocente.
O que pensam teus olhos, o que diz a mão
está agora mais perto do limiar da cal;
o que fica de ti não chega a ter nome
e busca o silêncio na paixão dos cardos.
Do verde adolescente ao vermelho amargo,
toda a música é arte de sombra;
este país é o teu, não chega a ser casa,
apenas o refúgio de lágrimas que escondes.
Eugénio de Andrade, Epitáfios (Ao A. A. - Fev.78)
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