Sou distância de mim sobre os outeiros.
Distância, um cisne entre lagoas idas,
Um afago de mãos desconhecidas.
Mãos crispadas cerrando reposteiros.
Distância, nos meus olhos, é um seio
Que amamentou outras Paisagens mortas,
É o eterno ser no meu receio,
É o fechar contínuo de áureas portas.
Diante de mim essa distância existe,
Eternamente longe e sempre triste,
Doida toada que em penumbras fito.
É um descer de bronzes no meu medo,
É uma curva de Ânsia no arvoredo,
Um gotejar de cinza no infinito.
Alfredo Guisado (1891)


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