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terça-feira, 28 de abril de 2020

...do desassossego...


 
 "Sinto o tempo com uma dor enorme. É sempre com uma comoção exagerada que abandono qualquer coisa.  [...] - sim, mas as coisas pequenas da vida, quando as abandono e penso, com toda a sensibilidade dos meus nervos, que nunca mais as verei e as terei, pelo menos naquele preciso e exacto momento, doem-me metafisicamente. Abre-se-me um abismo na alma e um sopro frio da boca de Deus roça-me pela face lívida.
 O tempo! O passado! Aí algures, uma voz, um canto, um perfume ocasional levantou em minha alma o pano de boca das minhas recordações.... Aquilo que fui e nunca mais serei! Aquilo que tive e não tornarei a ter! Os mortos! Os mortos que me amaram na minha infância.
Quando os evoco, toda a alma me esfria e eu sinto-me desterrado de corações, sozinho na noite de mim próprio, chorando como um mendigo o silêncio fechado de todas as portas."

Fernando Pessoa, in «O livro do desassossego»

quinta-feira, 4 de julho de 2019

"Amargo estilo novo"


Tudo é fácil quando se está a brincar com a flor entre os dedos,
quando se olham nos olhos as crianças,
quando se visita no leito o amor convalescente.
É bom ser flor, criança ou ser doente.
Tudo são terras donde brotam esperanças,
pétalas, tranças,
a porta do hospital aberta à nossa frente.

Desde que nasci que todos me enganam, 
em casa, na rua, na escola, no emprego, na igreja, no quartel, 
com fogos de artifício e fatias de pão besuntadas com mel.
E o mais grave é que não me enganam com erros nem com falsidades 
mas com profundas, autênticas verdades.

E é tudo tão simples quando se rola a flor entre os dedos! 
Os estadistas não sabem,
mas nós, os das flores, para quem os caminhos do sonho não guardam segredos, 
sabemos isso e todas as coisas mais que nos livros não cabem.

António Gedeão, in Poesias Completas


domingo, 19 de maio de 2019

Cuidar do seu jardim...


Surge a primeira flor ... uma possível romã... Um encanto!...
Porém, dizem que ainda vai ser mais bonita... Estou curiosa.



domingo, 17 de março de 2019

"Campainhada"



As duas ou três vezes que me abriram
A porta do salão onde está gente, 
Eu entrei, triste de mim, contente - 
E à entrada sempre me sorriram...

Mário de Sá-Carneiro, in  Poesias

sábado, 2 de março de 2019

II - Tu não és...

Introdução:

Ler poetas, apreciar quadros ou outros aspectos de arte traz grandes surpresas ou belas experiências. 
A leitura de Bernardo Soares trouxe-me a compreensão da estranha vida do autor Pessoa, absolutamente invadida pela procura incessante do artista na busca da perfeição, e do escalpelo que utilizou em si-mesmo para compreender racionalmente emoções sentidas. 
A razão de me servir de alguns destes textos, foi tentativa de consciencializar outrem para a emoção por mim sentida ao descobri-los e descodificá-los, mas sem lhes apor filosofias complexas ou doutrinas linguísticas estranhas. 
Porque Pessoa só aparentemente é simples, mas também não é tão complicado quanto muitos o quiseram , ou querem, fazer parecer. 


[...]
« Lua de memórias perdidas sobre a negra paisagem, nítida de vazio[?], da minha imperfeição compreendendo-se. O meu ser sente-se vazante como se fosse um cinto teu que te sentisse. Debruço-me sobre o teu rosto branco nas águas nocturnas do meu desassossego, no meu saber que és lua no meu céu para que o causes, ou estranha lua submarina para que, não sei como, o finjas.
Quem pudesse criar o Novo Olhar com que te visse, os Novos Pensamentos e Sentimentos que houvessem de te poder pensar e sentir! 
Ao querer tocar no teu manto as minhas expressões cansam o esforço estendido dos gestos de suas mãos, e um cansaço rígido e doloroso gela-se nas minhas palavras. Por isso, curva um voo de ave que parece que se aproxima e nunca chega, em torno ao que eu quereria dizer de ti, mas a matéria das minhas frases não sabe imitar a substância ou do som dos teus passos, ou do rasto dos teus olhares, ou da cor triste e vazia da curva dos gestos que não fizeste nunca.»

*

Bernardo Soares, in Livro do Desassossego

[...]

Comentando:
Raramente há uma mulher real na obra de um artista, mas muitas, ou a sucessão de muitas, que se plasmam numa única quando a/as evoca. No caso de Pessoa, poeta lúcido e profundamente sensível, a mulher podia ser a prefiguração da beleza ...o que era tudo e era nada. Mas era sempre tudo no universo lírico do artista e nada como representação carnal, a não ser em traços eróticos, como surge em alguns dos seus sonetos.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Não foi por mal...


Naufrágio

Não era por mal...
A onda que vinha 
não vinha por mal.

Mas veio, mas veio...
E logo a barquinha
partiu pelo meio.


Nem homens, nem velas.
- : Quanto a bordo ia,
com fé abalara,
morreu já sem ela.

Mas se a onda veio,
não veio por mal:
era irmã daquela
que chegou à praia,
que embala barquinhos
de meninos pobres.

Os meninos brincam.
Navegam em barcos
feitos de cortiça,
feitos de jornal.
Quase à mesma hora,
longe, os pais naufragam
 sem nenhuma ajuda.

Mas não é por mal...

Sebastião da Gama, in Cabo da Boa esperança

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Assim fosse eu...


É brando o dia, brando o vento.
É brando o sol e brando o céu.
Assim fosse meu pensamento!
Assim fosse eu, assim fosse eu!


Mas entre mim e as brandas glórias
Deste céu limpo e este ar sem mim
Intervêm sonhos e memórias...
Ser eu assim, ser eu assim!


Ah, o mundo é quanto nós trazemos.
Existe tudo porque existo.
Há porque vemos.
E tudo é isto, tudo é isto!

Fernando Pessoa, in Cancioneiro[15.08.1933]




domingo, 11 de novembro de 2018

tempo há...


tempo há onde se vê correr um rio
nítido, ágil, 
 na direcção do mar;
que nos arrasta lenta,
mansamente,
na voragem,
e sentimos
ser a imagem
de barco altaneiro
a flutuar
**
tempos depois,
porém,
deixam de ver-se as margens
- não importam,
nem distraem -hélas!
e já pouco ou nada encantam...
**
mas são momentos...
**
as águas seguem no seu vagar suave
- às vezes convulso -
mas lá seguem...
**
nenhum de nós, porém, soube  pará-las
e, por muito que se esforce,
não aprende...
**
deixá-las lá seguir,
deixá-las:
águas do rio, lágrimas choradas,
suor de vidas maceradas,
deixá-las lá seguir 
o seu triste destino 
**
consigo levam
- lavam-
vagas de paixão, revolta, esforço,
encantamento,
e resquícios fúlgidos
da terna e translúcida grilheta
 em vida tecida
do imenso carinho
que um estranho acaso uniu.


sábado, 10 de novembro de 2018

Dia de Todos os Santos...

E foi assim que aconteceu... Com muita chuva. Com muito frio.
O fantasma de mim não compareceu... se finou.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Irritações de um engenheiro...

Corre, raio de rio, e leva ao mar
A minha indiferença subjectiva! 
Qual "leva ao mar"! Tua presença esquiva
Que tem comigo e com o meu pensar?
Lesma de sorte! Vivo a cavalgar 
A sombra de um jumento. A vida viva 
Vive a dar nomes ao que não se ativa, 
Morre a pôr etiquetas ao grande ar...
Arte com sucata

Escancarado Furness*, mais três dias
Te aturarei, pobre engenheiro preso
A sucessibilíssimas vistorias... 
E. Munch - Auto-retrato com cigarro aceso

Depois, ir-me-ei embora, eu e o desprezo
(E tu irás do mesmo modo que ias),
Qualquer, na gare, de cigarro aceso...


Soneto III in Barrow-on- Furness, última parte de " Ficções do Interlúdio"- Poemas de Álvaro de Campos,
 heterónimo de F. Pessoa


Furness* - Barrow-on-Furness, hoje cidade situada a norte de Inglaterra. Era uma aldeia pertencente ao condado de Cúmbria onde se desenvolvia então a indústria da construção de navios e onde, supostamente, o engenheiro naval Álvaro de Campos trabalharia.



terça-feira, 15 de agosto de 2017

"Visão"... por Fernando Pessoa


Há um país imenso mais real
Do que a vida que o mundo mostra ter
Mais do que a Natureza natural
À verdade tremendo de viver.
  

Sob um céu uno e plácido e normal
Onde nada se mostra haver ou ser
Onde nem vento geme, nem fatal 
A ideia de uma nuvem se faz crer,


Jaz - uma terra não - não há um solo
Mas estranha, gelando, em desconsolo
À alma que vê esse país sem véu,


Hirtamente silente nos espaços
Uma floresta de escarnados braços 
Inutilmente erguidos para o céu.

Fernando Pessoa, in Cancioneiro

domingo, 13 de agosto de 2017

Saudade... em Ricardo reis

 SAUDOSO já deste verão que vejo,
Lágrimas para as flores dele emprego
Na lembrança invertida 
De quando hei-de perdê-las.


Transpostos os portais irreparáveis
De cada ano, me antecipo a sombra
Em que hei-de errar, sem flores,
No abismo rumoroso.


E colho a rosa porque a sorte manda.


Marcenda, guardo-a; murche-se comigo
Antes que com a curva 
Diurna da ampla terra.

in "Ficções do Interlúdio", de Ricardo Reis[heterónimo de F. Pessoa]

sábado, 15 de julho de 2017

Os girassóis na tarde...




levemente os girassóis estremecem
na tarde onde a brisa se quedou


no alto, o sol é uma brasa,
 é lume
as abelhas gigantes cansam o ar
volitando incessantes
de asas douradas pela claridade
e buscam néctar em cada flor aberta


as aves escondem-se sob as copas roçagantes
piam levemente e em surdina

o céu é de um azul ferrete
onde pequenas nuvens se destacam

no meu interior escuro e tépido
nem a sombra de um abraço
faz doer o silêncio

o calor lá de fora não permite
a saudade.

domingo, 14 de maio de 2017

Conquistar a distância...


 Ontem foi um dia em que regressei no tempo como catraia, sofrendo com o concurso da Eurovisão, um tempo em que dizer Europa era algo estranho, pois quase que nem acreditávamos pertencer-lhe... Contudo, recebíamos os estrangeiros com delicadeza e uma quase reverência porque pertenciam a um mundo a que nos sentíamos alheados não só ao nível político como cultural e, ainda hoje, há muito boa gente que acha que lá fora tudo é bom e, por cá, nada que preste.
Entre nós, quem frequentasse o estrangeiro ou era muito rico ou tinha atravessado a fronteira a salto para aí trabalhar em tarefas de quase escravatura,a  ganhar sem quase gastar para depois regressar à santa terrinha, dinheiro esse dificilmente auferido na pátria ao longo de uma vida de árduo esforço. Mas sabia-lhes bem passar alguns períodos de descanso mostrando aos familiares e amigos que por lá se vivia desafogadamente... embora lá se fosse tratado como cidadãos de segunda, ou de terceira categoria. 
Adormeci tarde pensando em tudo isto e no tempo em que possuir televisão era só para alguns e nos reuníamos então em casa de vizinhos e amigos mais afortunados para olhar o quadradinho milagroso e sofrer em coro quando o Eusébio falhava o golo pela selecção ou os nossos compositores e intérpretes na Eurovisão, por melhores e mais inspiradas canções que apresentassem, passavam desapercebidos e ignorados. E sofríamos a desilusão por não sermos tão bons quanto os outros, ou não possuirmos meios económicos capazes de ombrear com eles, convencidos como estávamos que muitas daquelas vitórias  eram conquistadas a troco dos muitos milhões envolvidos em encómios e muita publicidade. 
 Consolávamos-nos, no dia seguinte, trauteando sobretudo as canções vencedoras porque essas, sim, essas é que eram boas, apesar dos entendidos na matéria de cá e alguns de lá afirmarem o contrário. E anos e anos a fio, isto se repetiu até que se passou praticamente mais de uma década em que se pensou que o festival, pelo menos por cá, caíra no esquecimento. Como tal deixou de mobilizar as massas anónimas, na época as mais entusiastas do evento.
Mas, a pouco  pouco, emergiu uma geração que começou a valorizar o nosso património cultural, incluindo o musical:o reconhecimento do fado como património da humanidade abriu caminho para o do  cante alentejano e começou a encher de orgulho os corações portugueses, aqui e além fronteiras, com a consciência de que, afinal, nem somos tão comezinhos e analfabetos em muita e muita coisa como pensávamos . Os nossos créditos, tanto em ciência, como em tecnologia, começaram a ser reconhecidos mercê do afinco em mostrar que por cá também se sabe das coisas e se trabalha, apesar de não se possuírem os tais muitos milhões que, se os há, estão nas mãos só de uns tantos privilegiados descendentes ou ascendentes à classe do grande capital, amealhados sabe-se lá como, conseguidos à custa sabe-se lá de quê e quem. 
E se, em determinada época histórica, os possuímos, aos tais milhões, cedo os desbaratámos em campanhas políticas ruinosas. Apegámos-nos ao marasmo de uma existência pacata e sem ambições e lá fomos sobrevivendo ao longo de séculos. No século XXI descobrimos que somos europeus...
E finalmente, em 2016, ganhámos humildemente o Campeonato e consagrámos-nos  vencedores do Concurso da Eurovisão.

Tudo isto mercê do trabalho e do talento de dois irmãos unidos pelo amor à música e entre si.
Resta-me agradecer-lhes os momentos de ânsia ontem revividos  por mim e muitos outros portugueses espalhados por todo esse mundo europeu e não europeu, assim como a satisfação plena  por essa vitória há tanto almejada.

Obrigados a ambos!

E, citando o imortal e profético Pessoa, murmurar em prece:
[...]
«E que outra vez conquistemos a Distância -
- Do mar ou outra, mas que seja nossa!»

in Mensagem, XII - II PARTE,1921/22

.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Navego no cristal...


Navego no cristal da madrugada,
Na dureza do frio reflectida,
Onde a voz ensurdece, laminada,
Sob o peso da noite e do gemido.

Abre o cristal em nuvem desmaiada,
Foge a sombra, o silêncio e o sentido
Da nocturna memória sufocada
Pelo murmúrio do dia amanhecido.

José Saramago

sábado, 6 de dezembro de 2014

dias de outono


 esvazio-me à claridade amorfa do dia
                                                             lento
                                                             morno

sonho 
revolta
         ou esperança
          tornam-se palavras vãs
          desintegradas de sentido
                                       amarfanhadas
                                     sucumbidas


só
a beleza de uma fresca
                                                             perfumada rosa
                                    produz vida 
               a cada raiar de incontornáveis 
                                  e cinzentos 
                                      dias de outono
          
quando ainda me tocam
                                     pela beleza pura 
                               que irradiam



sonhos adiados de um estio 
                                                                    nunca acontecido 
                                                                                  murcho 
     asas de borboleta entontecida 
                                                                          em esplendor
                                                                                         ao calor
           
                                        o frio é a sensação desgarrada de corrupto sentido
                                        o  calor - o som antitético de lareira
                                                                                       mesmo que a lareira exista


                                       e o silêncio dorme no coração da noite 
                                       
                                       dias-cinza fenecem na aguda
                                                                                 dolorida
                                                                                 sensação de ser.
                                                                                                      
                                                                                                        Myrtô, 2014
                                                                                                   












sábado, 12 de julho de 2014

Nocturno II


Cria-se da angústia uma cadeira para assistir à noite.

E a noite que é como alguém que desce,
cheio de confiança,
os degraus de uma escada própria interminável
 - os degraus serão sempre os mesmos,
nunca haverá outros degraus no fundo.

Jorge de Sena (1942)

sábado, 25 de janeiro de 2014

Ser honesto...


Essencial é: ser sempre honesto consigo mesmo.
 E evitar proclamar diante de terceiros honestidade, pois esta não é privilégio, mas obrigação moral e social.

Ao começar por ser-se honesto consigo, forçosamente o seremos com outros.
 Honestidade só para fora é hipocrisia, falsidade, mentira. Em suma: desonestidade.
Verdadeiramente honesto é todo aquele para quem a honestidade é valor intrínseco de vida e não apenas aparência.
Por que há pessoas honestas que o são de verdade e só é de lamentar quem só o queira parecer,
a começar pelos políticos encartados ou pelos comerciantes extremamente bem sucedidos. Entre outros e apenas como exemplo.
Quanto mais se dilui a responsabilidade directa do indivíduo numa qualquer massa anónima de múltiplos interesses, mais este valor  - o da honestidade - se perde.
E o tecido social ressente-se da perda desse valor que vale mais que o ouro puro e é cada vez mais difícil de encontrar.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Mundo renovado...


Com os nossos pensamentos e palavras, construímos o verdadeiro mundo em que vivemos.
Por isso, a nossa vida e a nossa felicidade dependem exclusivamente dos nossos pensamentos e das nossas palavras.
Vigie o momento presente para que o seu futuro seja feliz.
Plante sementes de optimismo e de amor para colher amanhã os frutos da alegria e da felicidade.

C. Torres Pastorino, Minutos de Sabedoria

domingo, 8 de setembro de 2013

Iniquidade...



"Há poucos dias ainda, uma penhora de que fora vítima uma família infeliz, levou o Diário de Notícias a apiedar-se de uma desgraçada inquilina vexada pelo exercício do direito de um proprietário e levantou, em favor dos oprimidos por este caso particular, uma subscrição que subiu a 200.000 réis.
 O que porém se nos afigura que o aludido periódico deveria fazer neste caso era combater a lei dos contratos sobre a propriedade, cujas consequências produzem logicamente, e legalmente, semelhantes resultados.
Socorrendo por meio da esmola a família agravada pelos efeitos da lei vigente, o Diário de Notícias não só não contrariou a existência do mal, mas desenvolveu-o muito. E é esse o maior inconveniente da esmola: a esmola sobrecarrega imensamente o peso da iniquidade social. Quantas famílias infelizes no caso daquela que a subscrição protegeu! Quantos inquilinos penhorados nos últimos restos da sua pobre fazenda, escarnecidos pela excepção odiosa de um a quem uma subscrição tornada pública oferece a prosperidade denegada a todos os outros?!... De modo que o mesmo facto que constitui um benefício para um  representa, para duzentos, o suplício de uma exclusão cruel."

Ramalho Ortigão - As Farpas V  (1888)